Estratégia ESG

ESG deixou de ser tendência?

Por Helena Gurgel · · 4 min de leitura
ESG conectado à estratégia, tecnologia e competitividade das empresas
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De uns anos para cá, uma pergunta voltou a circular nas reuniões: “ESG ainda é tendência ou já passou?”

Eu diria que a pergunta está mal formulada. ESG não passou nem virou moda antiga. Ele mudou de lugar. Deixou de ser um assunto próprio, com painel próprio e time próprio, e passou a aparecer dentro das conversas que a empresa já tinha: estratégia, tecnologia, risco e competitividade.

Quem interpreta essa mudança como esfriamento está lendo o movimento ao contrário.

De pauta isolada a parte da conversa

Durante um tempo, sustentabilidade teve o seu quadrado. Um relatório, uma área, uma agenda paralela que raramente encostava no que decidia o rumo do negócio. Era possível ter uma diretoria discutindo investimento, tecnologia e mercado de um lado, e uma equipe de sustentabilidade do outro, quase sem interseção.

Isso está acabando. Hoje o tema aparece atravessado nas discussões de dados, de crédito, de eficiência e de risco, não como capítulo à parte, mas como uma das variáveis que explicam por que uma empresa é mais ou menos preparada para o que vem.

Na FEBRABAN TECH 2026, me chamou atenção como ESG e sustentabilidade apareceram cada vez menos como temas isolados e mais conectados às discussões centrais do setor financeiro. Em diferentes painéis, temas como inteligência artificial, riscos climáticos, transição para uma economia de baixo carbono e finanças sustentáveis se cruzavam, mostrando que sustentabilidade está sendo incorporada às decisões sobre risco, crédito, inovação e competitividade. Para mim, esse foi um dos sinais mais claros de que ESG não perdeu espaço, mas passou a ocupar um espaço mais estratégico.

Por que isso importa para o médio porte

Existe uma leitura confortável e equivocada: a de que essa conversa é de banco grande e multinacional.

Só que a exigência desce pela cadeia. A empresa de médio porte sente primeiro pelo cliente que passa a pedir dados socioambientais na homologação de fornecedor, e depois pelo banco, que começa a considerar esse tipo de informação na análise de risco. Não chega como discurso, chega como formulário, como pergunta em due diligence, como condição de contrato.

ESG não saiu de moda. Saiu do quadrado onde estava e entrou na conversa que decide o negócio.

O erro de tratar como projeto paralelo

Quando a agenda vive fora da estratégia, ela sofre o destino de todo projeto paralelo: é a primeira a ser cortada quando o orçamento aperta, e a última a ser consultada quando uma decisão importante é tomada.

Incorporar à estratégia não significa transformar tudo em sustentabilidade. Significa que os riscos socioambientais entram na mesma matriz dos outros riscos, que os indicadores conversam com os indicadores do negócio, e que quem decide tem essa informação na mesa e não num relatório que ninguém abre. É a mesma lógica de quando digo que sustentabilidade não é custo, e sim gestão de risco e geração de valor.

O que fica

Empresas que ainda enxergam ESG como reputação — algo para comunicar, não para gerir — correm um risco silencioso: o de perder oportunidade sem perceber. Não por uma multa, mas por um contrato que não veio, um crédito mais caro, uma exigência de cliente que não conseguiram responder a tempo.

A pergunta útil não é se ESG ainda está em alta. É se, na sua empresa, ele já chegou onde as decisões acontecem.

HG
Helena Gurgel Consultoria ESG · Doutora em Oceanografia · Frameworks GRI e TCFD

ESG já chegou à mesa onde a sua empresa decide?

Vamos olhar como a agenda está posicionada hoje no seu negócio — e o que falta para ela virar estratégia.

Vamos conversar